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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

LUA E OS MOSQUITOS DA TIA CRIS




Havia uma dúvida no ar: será que a Lua sabia mesmo escrever? Como então sabia ler? Essa questão inquietava a Pipoca, e piorara desde que o caso do Tiririca veio à baila. A amarela tinha pavor de falcatruas! Em algumas ocasiões a Lua fizera trejeitos de que estava anotando coisas, mas ninguém havia visto qualquer letrinha dessas! O Pingo tinha certeza que ela não escrevia e nem lia, que era tudo encenação, mas certeza ninguém tinha. Pipoca estava a pensar nisso quando ouviu

Lá lá lá lou
A Zambézia acabou!
Pra casa da Tia Cris
Eu vou! Eu vou! Eu vou!

Era a Lua cantando enquanto juntava suas figurinhas de pães de queijo. Ela tinha a maior coleção de fotos deles. Pipoca se aproximou e perguntou de repente:
- Lua! Você sabe ou não escrever?
- Ué, Pipoca! Claro que sei – respondeu a branquinha.
- O Pingo jura que você não sabe!
- Mas eu sei sim. Só que não consigo segurar o lápis na patinha.
- Nenhum de nós consegue! – respondeu a Pipoca.
- Pois é! Então por que você perguntou se todos somos assim ?
- Sei lá! Bobeira, falou a Pipoca. – Mas você está fazendo o quê?
- Pegando as minhas figurinhas de pães de queijo e guardando porque agora tenho que preparar a minha aula, disse a Lua.
- Aula? Que aula? Novamente a escola? – perguntou a Pipoca, já antevendo problemas com os demais cães.
- É uma aula muuuuito especial e em homenagem a minha Tia Cris – disse a Lua.
- Como assim?
- Simples! Vou explicar a origem dos mosquitos, falou a branquinha.
- E o que a Tia Cris tem a ver com mosquitos, Lua?
- Ela tem tuuuudo a ver. Lá na casa dela tem penudos – que eu vi – e eles gostam de comer mosquinhas e mosquitinhos.
- E daí?
- Daí que vou contar de onde saem os mosquitinhos que a Tia Cris serve para os penudos, disse a Lua.
- Lua. Pelos deuses caninos! Pare com essa história abestalhada! A Tia Cris não serve nenhum mosquitinho pra penudo algum! Ela serve comidinhas ...
- .... mosquinhas e mosquitinhos! É sim! É!!!!! – choramingou a Lua
A Pipoca não podia ver o focinho choroso da Lua! Isso não!
- Tá certo, Lua! Tá certo! – respodeu a amarelinha. A Tia Cris vai entender! – pensou.
- Então Pipoca, chame todo mundo porque a aula vai começar logo que eu guardar as minhas figurinhas. Obaaaaaaaaaaaaaaaaa.
Pipoca coçou a orelha direita e depois a esquerda enquanto pensava como faria para que os demais cachorros entrassem nessa aula! Aí teve uma idéia.
- Matilhaaaaa – gritou a Pipoca. – Venham todos! Tem coisas aqui!!!
Em menos de alguns segundos já estavam todos lá: Chiquinha, Pingo, Azeitona, tio Chicão e Jujuba ajeitando seu boné e franzindo o focinho, e como sempre foi a primeira a perguntar:
- Que aconteceu? Por que interromperam meu sono? Que coisas?????
- Matilha. A Lua vai contar uma historinha e ....
- Nem pensar! Respondeu a Jujuba. – Ela de novo com essa mania de escola? Pensa que a gente é o quê, hein? Fica sempre perguntando ... perguntando ... – Se isso é a tal “coisa” .... deixa pra lá!
- Jujuba, disse a Pipoca, não custa nada ajudar. Ela ainda é filhote e precisa se ocupar de alguma coisa que não seja fuçar onde não deve! Lembre-se que a mamãe está saindo da tal tese sobre a Zambézia muito cansada. Um pouco de boa vontade cai bem, não é?
- É isso mesmo, disse o Pingo. – E no final sempre sobra um tantinho de comidas e a gente se diverte com ela.
- Certíssimo, menino Pingo, disse tio Chicão. – A menina Lua precisa mesmo de incentivos culturais! Chame-a, garota Pipoca.
- Luaaaaaa. Pode vir! – gritou a Pipoca.
- Chamaram? É mesmo? Todo mundo veio pra saber dos mosquitos da Tia Cris? – falou a branquinha.
- E isso agora? O que tem a ver a Tia Cris com mosquitos .... ??? – falou a Jujuba
- Tudo! Tudinho! A Tia Cris tem mosquitinhos pros penudos e eu sei de onde ela busca os mosquitinhos! Sei sim! – falou a Lua.
- Minha nossa! – exclamou o Pingo. – Agora ela exagerou!
- Lua, falou a Chiquinha – que é isso? Onde já se viu falar isso da Tia Cris? Mosquitos são nocivos à saúde e ....
- .... e são comidas de penudos! Fazem parte da cadeia alimentar – disse a Lua.
- Cadeia alimentar? Desde quando se prende comida? – perguntou Jujuba. – Tem penitenciária pra salsicha? Cela pro macarrrão? Revista das roupas do coxão mole? Habeas corpus pras nozes serem abertas? E o descaroçador de azeitonas é pra torturar? E falou olhando pra Azeitona! Que perigo de idéia!
- Juju, às vezes você me espanta! Cadeia alimentar é o ciclo de alimentação de todos os seres vivos. Um alimenta o outro, não é tio Chicão? - perguntou a Lua.
- Certíssimo, menina Lua – exclamou tio Chicão, surpreso pelas palavras da cadelinha. – E de onde a menina tirou tanto saber?
- Dos livros. Sempre dos livros. A mamãe e o papai têm muuuuuitos livros! – Tem sim! E euzinha – que sei ler – pego alguns deles e leio tudinho! - respondeu a branquinha.
- Pois bem! Vamos sentar em roda pra Lua poder contar a tal história mosquital! – falou a Azeitona.
Todos em círculo, cada um procurando a melhor posição e a Lua começou.
- Houve um tempo em que os homens falavam com as árvores, com os animais e até mesmo com a água e a terra. Todos se entendiam e se ajudavam. Mas tinha os espíritos. E tinha espírito bom ...
... anjinhos? – perguntou o Pingo
- .... sim. Anjinhos, anjos e anjões, respondeu a Lua. – Mas tinha os diabinhos também! Esses eram terríveis e faziam coisas feias...
- Que coisas feias? – perguntou a Azeitona.
- Coisas como roubar os claclás dos outros, comer os pães de queijo que não são seus, mostrar pro papai onde se escondeu o shampu canino .... coisas assim! – disse a Jujuba.
- Certo, Juju – disse a Lua. – E essas coisas feias também podiam ser enganar as pessoas.
- Pessoas são enganadas com facilidade, disse a Lulu, que chegava sempre sem avisar, de patas dadas com o Kousky. Agora estavam inseparáveis.
- Oi Lulu. Oi Kousky. Sentem-se aí, disse a Chiquinha. – A Lua está contando uma historinha ...
- Tentando! Estou tentando! – resmungou a branquinha. – Vamos em frente! Então esses diabinhos podiam se transformar em humanos e criar a maior confusão no mundo das gentes! Aí fingiam que eram papai ou mamãe ...
- Que perigo! – exclamou o Pingo! Mas a gente sabe quando é ou não é. O cheiro não é o mesmo!
- É assim pra bicho, mas não para as gentes! – ponderou Tio Chicão. Os humanos são bem limitados em seus sentidos.
- Posso continuar? – resmungou a Lua.
- Sim, menina Lua. Continue, disse tio Chicão.
- Pois bem. Teve um dia que um desses diabinhos aproveitou que um papai saiu de casa e se transformou em um homem igualzinho ao papai e nem a mamãe conseguiu perceber que não era o papai! E os filhos do papai de verdade acreditaram que o papai de mentira era mesmo o papai de verdade.
- Que coisa! Falou a Chiquinha. – E aí, Lua?
- Pois é! Quando o papai chegou de volta viu que dentro de sua casa estava o papai de mentira. Como o papai de verdade era muuuuuito esperto, como o nosso papai é, ficou bem quietinho, foi se aproximando e chegou embaixo da janela e viu que os filhos estavam em volta do papai de mentira enquanto a mamãe fazia a comida. Aí o papai de verdade esperou os filhos saírem para buscar a lenha pro fogão ...
- Que história antiga, Lua! Onde já se viu fogão à lenha? Não tinha microondas? – interrompeu a Jujuba.
- .... porque a mamãe precisava, completou a Lua, enquanto olhava raivosamente para a Jujuba que se encolheu toda. Vixessanta! E a branquinha continuou. – Assim que um dos meninos pisou no jardim, o papai de verdade o chamou e falou pra ele que aquele papai que estava lá dentro era de mentira. E aí falou também que ele deveria entrar e pedir para a mamãe e os outros garotos saírem, todos disfarçando pro papai de mentira não perceber. O menino fez tudo direitinho e logo todos estavam lá fora, menos o papai de mentira. Assim que estavam todos juntos começaram a gritar e correr pelos caminhos da floresta. Isso despertou os mágicos ...
- Que mágicos são esses agora, Lua? – perguntou o Pingo. – Era uma floresta ou um circo?
- Eram mágicos, gente que faz as coisas aparecerem e desaparecerem, mas de verdade, não com cartolas e coelhos. Mágico de verdade! – tentou explicar a Lua depois de se enrolar toda.
- Menino Pingo, os mágicos que a menina Lua se refere são aqueles que mesmo sendo humanos são os mensageiros e intermediários entre os homens e os deuses. Em algumas culturas são chamados de xamãs. Em outras são os pajés, explicou tio Chicão.
- Entendi, falou o Pingo.
- Pois é! Esses mágicos chegaram perto do papai de verdade e sua família e souberam que o diabinho havia se transformado em um papai de mentira. Daí que pegaram ele, o papai de mentira e colocaram dentro de um vaso de cerâmica e ...
-Peraí Lua. Que coisa toda é essa? Como é que os mágicos conseguiram colocar o diabinho dentro do tal vaso? perguntou a Lulu. – Não parece ser tão fácil assim!
- Não foi mesmo! Esses mágicos eram mágicos mesmos e fizeram a mágica que fez o diabinho entrar no vaso e ....
-Lua! Assim não vale! Tem que explicar tudo direitinho – disse a Pipoca.
- Tá certo! Tá certo! Esperem que eu vou ver como esses mágicos fizeram – disse a branquinha enquanto saía pra biblioteca da mãe.
- Eu quero ver onde entram os mosquitos da Tia Cris nessa história – falou o Pingo.
- Não se preocupe, Pingo, que ela arranja um jeito, disse a Azeitona.
A Lua voltou toda sorridente e foi logo dizendo: - Os mágicos tiveram ajuda das forças da natureza! Foi assim!
- Forças da natureza, Lua? Mas o que são elas? – perguntou a Jujuba.
- Ah não! Isso não tá na historinha! – resmungou a Lua, ao mesmo tempo que pedia socorro para o Tio Chicão, com um olhar apavorado.
- Menina Jujuba, disse tio Chicão, todas as atividades da natureza representam sua força. Veja o vento, a chuva, o calor, o frio. Tudo isso pode fazer muitas coisas.
- Viu? Viu? – falou a Lua enquanto dava uma piscadela pro tio. – Pois é. Essas forças ajudaram os mágicos a colocar o diabinho dentro do vaso de cerâmica. Aí ele ficou preso.
- E daí? Onde estão os mosquitos? –perguntou o Pingo
- Calma. Muita calma nessa hora que ainda não acabei. Eles, os mágicos, colocaram uma tampa muito forte no vaso e colocaram numa fogueira para que virasse um monte de cinzas. Assim aconteceu. Mas quem disse que o diabinho morria assim? Nada disso! Para acabar com o danado era preciso afogá-lo – explicou a Lua.
- Afogar as cinzas? Como se afoga as cinzas? – questionou a Azeitona. - Nunca vi um carvão afogado!
- Não sei! Isso eu não sei! – gritou a Lua. – Só sei que tinha que afogar as cinzas do diabinho. É sim! E se era assim ... assim era! Ninguém ousou discordar! Lua irritada era algo inominável.
- Pois bem! Aí que os mágicos chamaram os meninos mais fortes da floresta e eles, os meninos, deviam ir até ao lago láááááá longe e jogar o vaso. Eles levantaram o vaso pelas alças e ...
- Vaso com alça? – perguntou Pipoca.
- Que diferença faz se tinha ou não alça, Pipoca? – perguntou o Pingo.
- Nenhuma! Resmungou a amarela. – Mas vaso com alça não é uma ânfora? – falou para si mesma. – Ânfora é vaso antigo ....
- Mas a história tem forno! Por que não pode ter ânfora? ponderou a Chiquinha.
- Pois bem. Eles, os meninos, pegaram o vaso-ânfora e saíram pelo caminho da lagoa. Era longe e logo eles se cansaram. Daí que pararam para dormir e ...
- Alguém roubou o vaso? – perguntou a Chiquinha.
- Não! – respondeu a Lua. Ninguém roubou nada! ]
- Mas o que aconteceu afinal? – perguntou o Kousky que queria saber onde é que entraria a história dos mosquitos da sua mãe.
- O vaso ficou ali no chão e quando eles acordaram ....
- Sumiu?
- NÃO. NÃO SUMIU! – gritou a Lua. – Estava lá no chão, do mesmo jeito!
- Ah! Tá certo! – falou o Kousky, um tanto assustado porque não conhecia bem o mau gênio da Lua quando irritada!
- Pois bem! – falou a Lua. - O vaso estava lá, no mesmo lugar, mas os meninos estavam cansados de carregá-lo, porque era pesado, e achavam que se o deixassem lá no meio do mato, na floresta onde os homens não passassem, teriam cumprido a sua missão. - Mentirinha de nada – pensaram. Pegaram o vaso e quando iam escondê-lo ele caiu e se partiu ao meio.
- Devia ser uma ânfora falsa – falou a Pipoca.
- E aí? O que aconteceu? – perguntou o Pingo, enquanto torcia o rabo com tanta aflição.
- Daí que as cinzas caíram no chão, ué! Respondeu a Lua. – O que você esperava? Caiu tudo!
- Onde é que entra os mosquitos? E a Tia Cris? – perguntou a Lulu.
- Simples, respondeu a Lua. – Quando as cinzas tocaram o chão se transformaram em mosquitos.
- E a tia Cris? – perguntou a Azeitona. – Onde estava a tia Cris?
- Simples. A tia Cris sempre cuida de penudos, de peludos, de miantes, compra pães de queijo e por isso ela já era um dos anjinhos. Então ela pegou os mosquitos e guardou num vaso e depois deu pros penudos dela. É sim!
- Menina Lua, falou tio Chicão e seu latido sério deixou todo mundo preocupado. – Uma parte dessa história tem sentido, mas o final não. Acerte isso! Não se pode fazer mentiras com coisas sérias. Lendas são importantes para as sociedades em que estão inseridas.
- Tá certo, tio. Vou explicar. Eu peguei essa historinha do papai de verdade, do papai de mentira, dos filhos, da mamãe e dos mágicos, todos eles, de um livro da mamãe. Achei bonitinho e por isso coloquei a Tia Cris nela porque ela cuida dos penudos - e por isso a tia Cris é anjinho - e os penudos gostam de mosquitinhos. Daí pensei que se os mosquitinhos pudessem entrar num vasinho poderiam chegar nas mãos da tia Cris e todos ficariam felizes, falou a branquinha. É o meu presentinho de natal pra Tia Cris porque ela anda muuuuito tristinha ultimamente, e isso não pode! Não pode não! Natal é alegria!!!! Tem árvores, bolinhas coloridas, luzes e mosquitinhos pros penudos!

Era impossível não se emocionar com aquela inocência. Até o Kousky concordou e até falou que realmente a mãe dele tinha um vaso pra colocar os mosquitinhos. E falou piscando para a Lulu. Ela confirmou tudinho. Mas tio Chicão não aceitou isso como final e exigiu que a Lua buscasse o tal livro de onde havia tirado a história. A branquinha apareceu com ele preso entre os dentes: Legends of the Amazon, de Vinicio Ortiz. Lua lendo em inglês? Como assim?
- Nada disso, gente. Mamãe fez a tradução e eu li.
- Certo, menina Lua. Falar a verdade é muito bom. Vejamos então - falou Tio Chicão que por ser um pastor alemão ... aprendera inglês - .... trata-se de uma lenda dos povos Quichua, da selva amazônica pertencente a América hispânica, que explica a origem dos mosquitos.
- Só sei que nessa tal lenda tem mosquitinhos e que alguns deles são parentes daqueles que servem de comida pros penudos da Tia Cris. São sim porque mosquitinhos vão voando ... nascendo ..... voando ... e alguns chegam até aqui! Eu li num livrão da mamãe. E se eu conseguir arranjar um vasinho e colocar mosquitinhos posso ir à casa da Tia Cris comer pão de queijo e encher ela de lambidonas. Aí ela pega os mosquitinhos, dá pros penudos e vai sorrir muito porque penudo é tudo de bonito, como o espírito do Natal.

Não dava para ninguém discordar. E, além disso, ficou provado que a branquinha sabe ler melhor do que muito palhaço político. Aproveitando o momento, olhando para todos, Lua se pôs a cantar uma musiquinha cuja letra estava impressa no verso de um rótulo de massa para pães de queijo. E dançava, a branquinha, rebolando o rabo e agitando as orelhas.

Lá lá lá lou
A Zambézia acabou!
Pra casa da Tia Cris
Eu vou! Eu vou! Eu vou!

Mosquitinhos vou levar
Pros penudos alimentar.
Pães de queijo vou comer
Até o papai aparecer!

Os penudos vão piar
Quando a ânfora quebrar
E os mosquitinhos libertar.
Depois vamos comer e dançar.

Lambidonas de montão
Na Tia Cris eu vou dar
E depois de tocar seu coração
Um sorriso eu vou ganhar.

E pra encerrar digo
A quem queria saber
Se eu sei escrever
Mamãe me ensinou
A digitar no computador
Obaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Marly Spacachieri - dezembro de 2010

terça-feira, 2 de junho de 2009

PÃO DE QUEIJO DE NATAL

Dias destes a Lua ficou presa na biblioteca lá de casa. Eis o seu relato:

Entrei sorrateiramente procurando um livro de receitas mineiras, em busca do pão de queijo perfeito... aí fecharam a porta e não perceberam. Esperei ... esperei ... e acabei dormindo em cima da almofada onde a Chica, minha irmã mais velha, dorme enquanto minha mãe escreve. Estava quentinho. Acordei com o barulho de papel sendo mexido. Levei um susto porque era um monte de livros se movimentando de lá e cá. Perguntei o que acontecia e eles me explicaram que na calada da noite, nas horas mais calmas, eles colocam todas as histórias em ordem. Os seres humanos vivem misturando todas e ao final do dia é o maior reboliço. Ninguém entende nada de nada. Naquele momento estavam arrumando a história do Natal. Fiquei curiosa e pedi para me contarem. O livro mais velho olhou para o mais jovem e disse:
- Conte você. Minhas páginas já estão muito amareladas.
O livro jovem, que se apresentou como sr.Livro abriu as páginas, folheou-as e parou onde estava escrito: Tudo sobre o Natal.
- Como assim?, disse eu. – O Natal é apenas um dia em que o Papai Noel vem!
- Nada disso! Também tem presentes e comidas especiais mas é uma data lotada de tradições que se misturam.
- Tradições misturadas? Como na batedeira? Aquela que faz zuuuummmm?
- Vou te explicar. Acomode-se nessa almofada, disse sr.Livro.
E começou ali uma viagem inesquecível sobre o Natal e tudo o mais que o cerca. Lua ficou atenta, com as orelhas em pé e se aproveitou da proximidade do gravador da mãe e ficou registrando tudo que ouviu. Dali saiu o relato abaixo cuja responsabilidade é total e irrestrita dessa cadela branquinha.
ATENÇÃO: GRAVANDOOOOO
“A primeira coisa que aprendi foi que a palavra “Natal” refere-se acima de tudo ao nascimento de Jesus Cristo, mas não consta nas páginas da Bíblia. Isso quer dizer que a palavra surgiu depois dele ter nascido, depois de terem escrito a Bíblia e reproduzido o seu texto. Interessante isso! O fato aconteceu, mas a nomeação sua se deu séculos depois, lá no de número quatro. Parece que foi a Igreja Católica Romana que batizou o nascimento de Cristo com o nome de Natal. Isso quer dizer que durante trezentos ou quatrocentos anos não houve festa de Natal. (Nooooossaaaaaa! E onde se punha os presentes? E o Papai Noel? E o boneco de neve? Onde ficavam todos?) O livro me explicou que o primeiro nó aconteceu com essa data estipulada: 25 de dezembro. Isso porque os calendários não eram precisos e nem contavam os dias de forma científica. Em muitos lugares os meses eram lunares e os anos duravam menos que os atuais. Vixessanta! Bom ... o que interessa é que avisaram Papai Noel que ele tinha que trazer todos os presentes no dia 25 de dezembro. O livro me olhou por detrás das lentes grossas de seus óculos e com cara muito séria. Fechando suas páginas e dando um grande suspiro, o livro me explicou que o que acontecia no dia 25 de dezembro era uma festa pagã que comemorava o nascimento do deus Sol.
- Mas o que é festa pagã?
- Festa não religiosa, normalmente acompanhadas de bebidas e orgias.
- Bebida eu sei o que é, mas orgia ... sei não.
O livro continuou falando:
- Deixe pra lá, Lua. Aprenda que todos devem ficar longe das orgias. Houve uma série de discussões entre os seguidores das palavras de Cristo e os demais, incluindo muitos pagãos convertidos e chegaram a um acordo: o dia 25 de dezembro seria o melhor para comemorar o nascimento do filho de Deus, já que o Sol era o mais importante deus dos pagãos. Estava aberta a porta para a entrada do Natal pelo mundo, agora como sinônimo de comemoração ao nascimento de Cristo.
- Mas peraí! Onde entra a árvore de Natal? – falou a Lua.
- Vem da Babilônia, disse ele o Sr.Livro e, antes que ela perguntasse onde era a tal Babilônia .... deu-lhe um mapa. Era longe. Muito longe.
- Puxa vida! A única Babilônia que eu conheço é a gaveta de meias da minha mãe. Meu pai sempre diz que ela está como uma Babilônia. Não entendi. A gaveta fica ali perto, no quarto, sussurou Lua. – Vou perguntar pra minha mamãe por que uma Babilônia é aqui pertinho e a outra é lááááá longe!
- Isso é outra história, Lua.Vamos continuar com a nossa árvore. Diz-se que a Árvore de Natal está presa nas tradições da Babilônia e vem de Ninrode, neto de Cão, filho de Noé.
- Peraí! Cão sou eu ... quer dizer ... cadela .... mocinha ... menina ... lindeza como diz minha tia Cris. E Esse Noé eu conheço. É aquele barbudoo simpático da arca cheia de bichos em cima das águas, flutuando dia e noite. O tal do dilúvio. Isso eu sei! Sei sim! Bom sujeito. Acho que ele é da equipe do resgate, aquela dos bombeiros, falou toda feliz a cadela.
- Lua, disse o livro – controle-se senão eu paro de contar. Não havia bombeiro nos tempos de Noé!
- Sim senhor! Mas ... é um absurdo. Todos os tempos, todo mundo precisa dos bombeiros. O carro deles faz uóm uóm uóm..... – parando de falar, Lua foi se aproximando da beira da almofada.
- Ninrode era um homem mau, muito mau – disse Sr.Livro.
- Comia cachorrinhos?
- Não Lua! Ele era muito ambicioso. Parece que ele se casou com a própria mãe e ....
- Noooossaaaaaa. Isso não pode! Não pode não! Minha mãe diz que não pode! Tiaaaaaa Cris! Acudaaaaaa!!!!
- A mãe-esposa dele era a Semíramis e que depois da morte de Ninrode propagou uma doutrina onde se dava como certa a sobrevivência de Ninrode através de um pinheiro que teria nascido e crescido da noite para o dia....
- Crescendo muito ... assim como um pão de queijo no forno?
- Mais, Lua. Muito mais. Essa árvore inteira teria surgido de um pedaço de outra, regenerado todas as partes e chegado a um pinheiro completo.
- Assim como um pedacinho de queijo que durante a noite crescesse e de manhã teria se transformado num enorme pão de queijo? Assim?, saltita Lua.
- Mais ou menos, Lua.
- Continue, sr.Livro. Tá ficando interessantíssimo essa história da árvore de pão de queijo, diz Lua engolindo muita saliva.
- Não é árvode de pão de queijo, Lua! Preste atenção que é um pinheiro! Entendeu?
- Entendi, mas que graça tem um pinheiro? Melhor se fosse de queijo ... imaginou um monte de pinhas de queijo? – sonhou a cadela.
- As pessoas, Lua, deveriam então colocar presentes nesse pinheiro. Daí a origem da árvore de Natal. Uma espécie de renascimento. Entendeu?
- Entendi, sr.Livro mas preferia ....
- Lua!
- Sim senhor!
- Tem mais. Em alguns lugares essa lenda sofreu algumas modificações no conteúdo e nos elementos.
- Como assim?
- Para os druidas essa árvore era o carvalho, para os egípcios era a palmeira e em Roma era o abeto. O deus escandinado mitológico Odin era tido como aquele que dava presentes nas festas pagãs, incluindo a do Natal. Entendeu, Lua?
- Acho que sim. Acho que sim ... mas não tenho muita certeza. Vou ter que perguntar tudo isso pra minha mamãe, reponde a Lua.
- Pode perguntar, disse o sr.Livro. Mas vamos para o Papai Noel e ....
- OBAAAAA. Papai Noel traz presentes. Traz caixinhas cheias de pão de queijo e .....
- Lua! Tome tento! Cachorro não pode comer pão de queijo!
- Poder não pode! Dever não deve! Mas .... come! Come sim! Obaaaaaa.
- O Papai Noel vem da lenda de São Nicolau, um bispo que viveu no século V depois do nascimento de Cristo.
- Ihhh. Lá vem outra história fora dos ponteiros do tempo. Ele veio taaaanto tempo depois do nascimento de Cristo? pergunta a Lua.
- É sim. Ele era um bispo em Myra, na Ásia Menor, de nome Nicolou de Myra, vindo de família muito rica, e que tem seu dia consagrado como 6 de dezembro ...
- Tá piorando! Tá piorando! Então o 25 de dezembro não é dia de Papai Noel? Quer dizer que os presentes devem vir em 6 de dezembro? Hein? E o que vai ser colocado embaixo da árvore de Natal do dia 25? Nada! Não pode ser! Conte tudo, sr.Livro! – diz a Lua.
- Essa cachorra é da pata virada! – reclama o sr.Livro para o livro raro que tinha saído da prateleira querendo tomar um sol e espantar a artrite gráfica que o acometeu! Essas técnicas antigas .... ai e ai.
- Olha, Lua. Tem uma lenda em torno do bispo que ...
- Senta que lá vem a lenda! – grita a Lua. – Que fome!
- É isso, suspira o sr.Livro. Ele, o bispo de Mira, o Nicolau, ele ofereceu, escondido de todos, dotes valiosos para três moças pobres poderem casar ....
- Como assim? Como assim? Elas precisavam de dotes para se casar? Não acredito!
- Lua, esses eram os costumes da época. Não nos cabe julgar; apenas relatamos, diz o sr.Livro.
- Pois eu fico indignada! Fico sim! Quer dizer que se elas não tivessem o tal dote não teriam casado? Ninguém ia querê-las? Não entendo nada disso. Os cachorros não tem isso. Pode ser de raça, um vira-lata, qualquer um que se olha e se entendem ... prepare-se para a chegada de filhotes! Ser humano é confuso, não? Livro tem disso também? Quando o livro é criança ele é infantil? O livro-mãe usa avental? O livro-pai fuma cachimbo? O livro-cachorro late? Onde eles todos vivem? Onde posso ....
- CHEGA LUA! Você me põe louco! esbraveja o sr.Livro.
- Puxa vida! Só quero saber, ora essa. Minha mamãe sempre diz pra que não se leve nenhuma dúvida para dentro da garganta. Precisa tirar da boca pra fora. HUNF! (Vou contar tudinho pra minha tia Cris. Vou sim!!!)
- Tá certo, Lua. Tá certo, mas a nossa história precisa continuar, diz o sr.Livro se divertindo com o emburro da Lua.
- Sigamos então! resmunga a Lua.
- Então, colocar presentes escondidos na árvore de Natal é uma mistura das práticas de Nicolau com a lenda de Ninrode. Alguns outros estudiosos dizem que o Papai Noel nasceu na Turquia e era um bispo de bom coração. Esses mesmos estudiosos concordam que se trata de Nicolau, um religioso que ajudava os pobres colocando moedas em saquinhos e jogando-os pelas chaminés das casas. A grande divulgação da imagem do Papai Noel se deu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Em Portugal ele é conhecido como Pai Natal, nos Estados Unidos e Canadá é Santa Claus, na França é Père Noêl, na Alemanha é Kriss Kringle, na Espanha é Papa Noel, na Suécia é Jultomten, na Holanda é Kerstman, na Filândia é Joulupukki, na Rússia ficou Baboushka, na Itália Babbo Natale, no Japão é Jizo, na Dinamarca é Juliman e no Brasil, Papai Noel. Sua roupa originalmente era marrom (até o final do século 19) mas em 1881 uma campanha publicitária da empresa de bebidas Coca-Cola utilizou-se do desenho feito por Thomas Nast em 1866 e publicado pelo semanário “Harper Weekly”, mostrando um velhinho simpático, de roupa vermelha e branca e um gorro vermelho com pompom branco, exatamente as cores da Coca-Cola. Deu certo e ....
- BURP! – desculpe, diz Lua envergonhada do arroto. – Mas falou Coca-cola ....
- Cachorro não pode tomar Coca-cola, Lua!
- Não tomo não ... mas de ver a minha mãe tomar e fazer os burps ... aprendi a inchar as bochechas como o Pingo faz, diz a cadelinha. Continue, sr.Livro. Estou adorando.
- Bem, tem uma história bonita sobre Papai Noel. Você vai gostar. Esse velhinho de barbas brancas, andando no ar de trenó puxado por renas foi idealizado através de um poema feito por Clement Clark Moore, um catedrático e ministro episcopal de título “An account of a visit from Saint Nicolas”...
- Of course, diz Lua.
- Lua, desde quando você entende inglês? diz o Dicionário Michaelis.
- Eu assisto desenhos e sempre tem cachorros falando ... – fala baixinho a cadela.
- É? Então traduza o que eu disse! diz sr.Livro.
- Ah! Você não sabe? Não? E quer que euzinha o ajude? Não mesmo! Minha mãe sempre diz pra não falar com estranhos e...
- Estranho? Eu? – reclama o sr.Livro. – Até título tenho!
- Quer dizer .... não devo ficar me exibindo ....
- LUA! Fale a verdade! diz o Livro raro lá no fundo da prateleira.
- Tá certo. Tá certo. Não sei o que quer dizer. Eu só entendo um tantinho de LATIDIM. – diz uma Lua envergonhadíssima. (Isso eu não vou contar pra minha tia Cris! Melhor não!!!).
- Quer dizer: “Um relato da visita de S.Nicolau” em 1822. O jornal Troy Sentinel publicou-o pela primeira vez em 1823. O autor só reclamou seus direitos autorais em 1844, depois de muitos periódicos terem publicado. Papai Noel tem como símbolo três bolas de ouro, que se refere ao dote dado para as moças. Lembra disso?
- Sim! E não me conformo ainda – resmunga a Lua
- Pois bem. Além de ser o símbolo do Natal, S.Nicolau também é o protetor dos marinheiros em alto mar e das crianças. As datas comemorativas de S.Nicolau (6 de dezembro) e do Menino Jesus (25 de dezembro) acabaram sendo unidas numa só após a grande reforma protestante, onde os germânicos resolveram deixar o Menino Jesus “transformado” em distribuidor de presentes, ainda que seja o Papai Noel quem prevaleça até hoje. Em 1969 o Papa Paulo VI retirou do calendário oficial das festas católicas a de S.Nicolau. Contudo, a tradição já estava presente em todos os lugares e até hoje a figura do velhinho barbudo e de roupa branca e vermelha está nos cartões de Natal e as crianças escrevem para o Pólo Norte, onde ele mora, pedindo seus presentes. Se elas foram boazinhas durante o ano todo, ganham.
- IUPI! Vou ganhar tudo!!!! Fui a melhor cadela de todas as cadelas.
- Será? Foi mesmo, Lua? Pergunta a enciclopédia. – Quem é que comeu o queijo que estava em cima da mesa? Hein?
- Mas ... ele estava lá ... sozinho .... abandonado .... querendo ser comido! Só fiz um favor.
- Sei, sei! Continue, sr.Livro – diz a enciclopédia.
- (Gorducha) – fala baixinho a Lua.
- Pois bem Lua. Que mais quer saber? fala sr.Livro.
- E os enfeites das árvores, questiona Lua.
- Boa pergunta, Lua. A coroa de natal, muito conhecida por guirlanda, vem de tempos quase perdidos na memória. Tem uma palavra em grego stephano e outra em latim corona, que podem corresponder a enfeites ou mesmo ofertas. Muitas vezes usada para significar homenagem aos mortos ....
- Tá louco! Morto não! – grita Lua.
- .... outras vezes para celebrar vitórias em esportes. É conhecida, a guirlanda, como Adorno de Chamamento para se passar pela porta de entrada onde estavam os deuses. Por isso colocam-se as guirlandas nas portas, como um sinônimo de boas vindas.
- Mas a gente pode pendurar coisas na árvore? questionou Lua
- Claro, Lua. O que se quiser. O que importa é comemorar e enfeitar a árvore com tudo que achar bonito – responde sr.Livro.
- Pão de Queijo pode? – pergunta
- Eu diria que não é auspicioso, Lua. Pode aparecer um rato ... e sabe como é, né? ponderou sr.Livro.
- Uma coisa tenho que dizer: eita história complicada, hein? É um tal de juntar pedacinhos de coisas de um lado e do outro! Parece a colcha de retalhos que eu durmo em cima, na minha caminha, fala a Lua.
- Assim é, Lua. Os homens pescam de lá e cá e acabam produzindo novas tradições com cara de velhas, pondera o sr.Livro. – E tem mais!
- O que vem agora, sr.Livro? Mais coisas velhas? resmunga a Lua.
- Você sabe de onde vem a origem do uso das velas no Natal? pergunta sr.Livro
- Da falta de pagamento da conta? tenta Lua.
- Não havia energia elétrica nessa época, Lua, sorri o sr.Livro.
- Acabaram os fósforos? Falhou a pilha? Descarregou a bateria? Faltou energia solar? –Nada disso? O que era então?
- Fogo! O velho e bom fogo, diz o sr.Livro. Acender velas representa homenagear e manter vivo o deus Sol.
- Lá vem esse deus de novo! diz Lua.
- Ele mesmo! Era uma homenagem que foi sendo substituída no seu modo de fazer. Hoje temos as luzes elétricas, o pisca-pisca ou outro meio mais moderno. O deus Sol sempre foi muito considerado e é dele também a tradição do presépio ...
- Alto lá! Agora vamos falar de bicho e eu quero muito cuidado. Jesus nasceu numa estrebaria, que é a casa de bicho. Lá tava cheio de bichos. Maior bicharia, bicharada ... sei lá. Era dos bichos, reclama Lua.
- É verdade, Lua. Mas, todos esses animais acolheram com carinho aquela criança e seus pais, diz o sr.Livro.
- É sim! É! Pena que os humanos se esqueçam disso e deixem os animais – muitos – sem casinhas, comidas, expostos ao frio, chuvas e maltratos, choraminga Lua.
- Concordo, Lua. Mas, um dia isso vai mudar!
- Espero mesmo! Acabou a história?
- Sim, Lua. Você quer saber mais alguma coisa?
- Quero sim. Por que Papai Noel mora no Pólo Norte? Faz um frio danado lá! Nem meus amigos houskies siberianos ficam sem casaco! Não podia morar aqui perto? Ir na praia? Distribuir pães de queijo em Ouro Preto ou acarajé de queijo em Salvador ... ou mesmo hot-dog-cheese em S.Paulo?
- Morando no Pólo Norte Papai Noel não pertence a país algum, de nenhum credo ou governo. Assim pode ser de todos!
- Puxa! Que bonito isso tudo. Só tem mais uma pergunta – diz Lua
- Qual? pergunta sr.Livro.
- Tem receita de pão de queijo em algum de vocês? É que prometi ums receita nova de pão de queijo pra tia Cris – fala Lua.
- Essa cadela! Não tem jeito mesmo. Vamos ver o que encontramos aqui! Tem um livro de culinária mineira em alguma das prateleiras ....
De repente a porta se abre e a mãe da Lua grita:
- Luaaaaaaaaaa. Cadê você?
Num segundo, feito um raio, passa uma cadelinha branca farejando a fornada de pão de queijo que o pai tirava do forno naquele momento. A receita do pão de queijo? Tá no blog dela, uai.

autoria: Marly Spacachieri
transcrito@yahoo.com.br
31/05/2009