sábado, 10 de outubro de 2009

DE LATIDOS À PALAVRAS


Se tem uma coisa que deixa a Lua nervosa é ela latir e ninguém entender! Os humanos são complicados entre eles mesmos, muitos falam e ninguém entende nada. Imagine se eles vão entender o que os cães latem ou o que quer dizer um miado? Nunca. Cachorro late do outro lado da cidade e todos os demais entendem. A grande maioria dos humanos não é interessada em comunicação homem com cão, pelo menos é o que parece. Porém, existem alguns humanos muito bem intencionados e preocupados com a comunicação entre animal e humano. Tem sim!

A Pipoca ficou encarregada de convocar no condomínio todos os cachorros para uma reunião extraordinária. Ordens da Lua! Assim fez e assim foi. Como os donos não deixariam os caninos saírem foi preciso montar um esquema de latidos informadores. Assim: a Lua latia pra cima e os demais iam repassando para os outros mais próximos. E estes mandariam as informações para os demais, até que todos tivessem recebido a mensagem. Um protótipo animal de satélite. Alta tecãonologia. usada para um momento histórico.

A Lua, em cima da máquina de lavar para poder ser vista pelos outros cachorros das demais áreas de serviço começou a explicar que logo todos os cachorros falariam com os humanos. A remessa das mensagens para os outros animais foi ficando cada vez mais intensa. O assunto era entusiasmante. Contudo, alguns não acreditaram.

- Como assim? Não acredito! disse Xinxila, o pequinês amiguinho da Lua do apartamento 25.

- É verdade Xinxila! Pesquisadores japoneses lançaram uma maneira de promover o diálogo entre os humanos e os cachorros. Como? Com um tradutor de latidos. A engenhoca recebeu o nome de Bowlingual Voice. Pode parecer coisa de desenho animado, aquele onde humanos e cachorros se falam. Na verdade trata-se de um aparelho que analisa a acústica dos sons emitidos pelo cão e os traduzem para palavras. O aparelho é produzido por uma empresa chamada Takara Tomy e detecta seis emoções diferentes, sendo as mais importantes a tristeza, a alegria e a frustração. E também associa sentimentos a frases como “brinque comigo”. O aparelho deve custar em torno de US$ 200 e será vendido no Japão ainda no ano de 2009.

- De onde você tirou tantas informações Lua? questionou Zeus, o fox paulistinha do 16.

- Ora! Eu sou uma grande pesquisadora, disse a branquinha, escondendo a “cola” debaixo da pata.

- Que mais tem sobre isso? perguntou Jujuba, a co-irmã da Lua em assuntos culinários.

- Por enquanto é só isso que vou falar. Mais tarde, num outro dia, falo mais. Agora estou cansadíssima! resmungou Lua que não admitia seu desconhecimento sobre o assunto, e se apavorou pela quantidade de perguntam que lhes faziam. Deixou todos muito curiosos.

Temerosa de abalar a sua imagem de pesquisadora canina lançou-se na tarefa de fuçar mais sobre o assunto. Começou folheando os jornais que vão servir para forrar o chão onde os cachorros todos fazem xixi. Enfiou-se na caixa de papelão e foi jogando todas as folhas pro alto. Uma bagunça enorme, mas que o papai, logo depois, arrumaria. Os pais são ótimos e arrumam todas as badernas que os cães fazem. Resmungam, gritam, esperneiam, mas arrumam. - E não entendem quando a gente pede desculpas! - resmungou a Lua.

- Se pelo menos eu pudesse pedir ajuda pra mamãe! suspirou a cadelinha.

Num momento de sorte encontrou num jornal a matéria sobre o assunto. Imediatamente chamou a Pipoca e ordenou – isso mesmo!!! ordenou – que ela convocasse nova reunião extraordinária.

- Mas Lua ... o pessoal acabou de desmanchar a rede do satélite canino! reclamou Pipoca.

- Nem quero saber! Isto é muuuuito importante! Vamos! Vamos! – disse Lua.

- Por que não falou naquela hora, Lua? – perguntou Jujuba que estava espreitando a branquinha e sabia que ela apenas tomara conhecimento das novidades depois de procurar nos jornais velhos.

- Porque eu não queria! Só isso! Nada além disso! – resmungou a cadelinha.

- Pipoca suspirou fundo e saiu em convocação da extra-extraordinária assembléia. Porém, ao contrário do que pensava, os amigos caninos correram para seus postos de retransmissão. Estavam excitadíssimos sobre o assunto.

- Caros amigos! Vou tirar as dúvidas de todos. O aparelho contém um microfone a ser colocado no pescoço do cachorro e um dispositivo que fica com seu dono.

Esse foi um ponto que a Lua não gostou. Ficou pensando como ficaria ridícula com a engenhoca em torno do seu lindo pescocinho branco. Amassaria seu laço de cetim. Além do mais, é bem possível que o Pingo fizesse piada disso. Já podia antever o cachorro amarelo rindo dela e gritando:

- Pamonha, pamonha, pamoooooonhaaaaaa!

Justamente para ela que só se interessa por pão de queijo! Ainda se fosse uma pamonha de queijo ralado, tipo parmesão!!!É! Mico puro e certo. Mesmo assim, continuou a contar como funciona o tradutor de auaus.

- Toda vez que o cachorro latir, o microfone grava o ruído e manda a informação para o dispositivo que está com o dono. Daí acontece a tradução do que o cão disse! E essa gravação acontece inclusive quando o dono estiver ausente. O primeiro aparelho que tentou traduzir os desejos caninos foi feito em 2002, no Japão, e apenas apontava, numa tela, as possibilidades de interpretação dos desejos caninos. Vendeu mais de 300 mil unidades.

- Quem quiser ver uma demonstração, disse a Lua, anote o link:

http://www.youtube.com/watch?v=ummUCShK_Wk

A movimentação canina foi imensa. Todos latindo ao mesmo tempo, afinal, falar com os humanos e ser entendido parecia o fim de um pesadelo. Alguns deles iriam saber – na verdade – o que seus cães pensam e sentem sobre os tratamentos que recebem. Fritz, o pastor belga do 36 já estava montando sua rede de contatos que seria o conselho de uma futura entidade de defesa da palavra do cão. Ele, o Fritz, seria o delegado. Outros grupos surgiram na hora, inclusive o dos defensores da abolição dos banhos.

Lulu ficou encantada ante a possibilidade de ser entendida pelo entregador de pizza delivery. Imagine ela acionando o cãolular, sendo atendida e pedindo dezenas de pizzas de carne moída?

Já a Lua pensou naquelas entregas especiais de salgadinhos.

- MARAVILHA!!!! Pão de queijo o dia todo, salivou a branquinha.

Aí o cãolular da Lua tocou: AUUUUU, AUUUUU.

- Aulô, diz Lua. Quem é?

- Sofia, Lua.

- Sofia?

- Sim, a cadela do Alexandre Rossi, aquele zootecnista que vive entre os bichos, conhecido como Dr.Pet.

- Sei sim. Assisto sempre ao programa onde ele ensina coisas pros humanos. Meus pais não faltam. Eu assisto junto pra vigiar se eles estão prestando atenção! Como vai você?

- Bem. Olhe, eu liguei porque estou sabendo do seu interesse entre essa tal de comunicação entre humanos e cães e ...

- Como é que você soube disso? perguntou a desconfiada Lua.

- Lua! Eu sou associada do satélite canino e entre cães não há segredos!.

- Isso é! ponderou a branquinha.

- Pois então. Acontece que o meu dono, o Alexandre, se comunica comigo. Nós batemos loooongos papos. Ele me entende! disse Sofia.

- É? disse a Lua, desconfiada de aquela canina tivesse querendo se mostrar. Não deixaria. Nunca. Pelos deuses dos pães de queijo, lutaria até o fim!!!

- Mas é verdade sim. O Alexandre (Rossi) fez um trabalho fantástico comigo, explicou Sofia. - Fui adotada por ele, que me encontrou abandonada na rua, ainda filhote (hoje tenho 7 anos) e começou um estudo para provar a capacidade do cachorro de se comunicar com o homem por meio de gestos. Montou um painel que “fala” frases assim: “estou com fome” ou “quero fazer xixi”. Aí eu aprendi a apertar a tecla do painel quando quero aquela coisa. Não precisamos de nenhum japonês para nos traduzir! Vamos no velho e bom idioma português.

- Que maravilha, exclamou a Lua. Imagine só euzinha no meu painel com muitas teclas onde conste a mensagem: QUERO PÃO DE QUEIJO AGORA.

De nada adiantou a Sofia argumentar que cachorro só pode comer ração! Lua já estava resolvida a fabricar seu painel. Dissolveu a assembléia e começou a procurar o material necessário para montar seu pãoinel de pão de queijo!

Marly Spacachieri
transcrito@yahoo.com.br
Fonte de pesquisa: O Estábulo de São Paulo – Centro Acadêmico Moacyr Rossi Nilsson – FMVZ/USP – agosto de 2009.

sábado, 3 de outubro de 2009

A LUA SÓ ANDA
NA RUA
DE COLEIRA E GUIA
Especialmente dedicado a Tia Cris que lá de Paris vai comer pães de queijo sentindo muita saudades da Lua! É sim!!!

A Lua é muito interessada em coisas da ciência. Ela entra na biblioteca da sua mãe e fuça tudo o que pode. Outro dia achou em cima da mesa um artigo de uma revista que trazia um cachorro na fotografia.

- Isso é muuuuito auspicioso, pensou a Lua.

Sentou-se sobre as patas trazeiras, ajustou a cortina com o focinho para que a luz entrasse e começou a fuçar. Era a história de um cachorrinho que se perdeu dos donos e que voltou porque conseguiu, sozinho, encontrar a casa.

- Grande coisa! Eu acho os meus brinquedos em qualquer lugar! resmungou a Lua.

Mas o que a Lua não sabia é que os cachorros tem receptores olfativos (farejadores, na linguagem caninês) 40 vezes mais potentes que o dos seres humanos.

- Por isso acho 40 pães de queijo quando a mamãe só acha um, riu a branquinha

Na verdade, isso explica como os cães acham pessoas desaparecidas depois de alguns dias. Eles conseguem identificar cheiros de rios, árvores e até de jardins da região onde mora.

- O vento leva esses cheiros, o cachorro capta-os e segue em busca do lugar perdido, disse a revista que a Lua lia.

Revista fala? Bom, naquela biblioteca tudo podia acontecer e ganhar vida. Se uma cadela fazia pesquisas .... nada mais espantava!

- Mas com tanto cheiro ruim? questionou a Lua pra revista.

- Tem razão, Lua, respondeu uma das páginas. A poluição, que você chama de cheiro ruim, está causando complicações de entendimento nos focinhos caninos.

- Mas por que os cachorros fogem? Eles não gostam de suas casinhas? perguntou o Batatinha, um cão de pelúcia que fica em cima do armário.

- Eles fogem para tentar perpetuar a espécie, disse a revista. E por isso os machos fogem mais que as fêmeas. E a maioria dos que se perdem jamais retornam.

- E os humanos não fazem nada? perguntou a Lua

- Alguns tentam, mas os cachorros são sapecas. Um dos humanos montou uma página na internet http://www.caesperdidos.com.br/ para anunciar os cães desaparecidos, porém, muitas pessoas não ligam muito para cachorros que aparecem, que estão perdidos e com medo. Tem dono que nem liga.

- Tadinhos, choramingou a Lua. – Se eu sair de perto, minha mãe tem um ataque e meu pai fica maluco. Eles me adoram ... quer dizer ... eles adoram todos nós.... e todos os cachorros do mundo. Inclusive um gorducho chamado Bim. HUNF!

A revista sugeriu que as pessoas treinem seus animais para que possam, caso se percam, retornar para suas casas. A Lua correu pro quadro negro que está preso atrás da porta e de giz em pata começou a escrever em caninês. Os proprietários devem:
- caminhar com seu animal diariamente pelo bairro;
- chamar a atenção do cachorro para placas, estabelecimentos e semáforos;
- estimular o faro canino colocando petiscos escondidos pela casa;
- evitar cheiros fortes, principalmente de produtos de limpeza;
- alternar os caminhos dos passeios, mudar os horários e as frequências dos passeios;
- ir o mais longe possível nesses passeios.

- Puxa, quanta coisa, disse a Lua. – Vou ter que pedir pra minha mãe anotar tudo e colocar no meu blog.

- Mais uma coisa, disse a revista, - Quando o faro falha, os animais usam a audição. Eles ouvem a quilômetros de distância.

- Então os cachorros tem GPS? questionou o Batatinha.

- Pode-se dizer que sim, respondeu a revista. Mas, é preciso cooperar evitando poluir o ar. O faro é importantíssimo.

- Faro? É claro, diz a Lua farejando pra cima. – Estou farejando .....farejando ..... noooossaaaaaaa ...

- O que é, perguntaram a revista e o Batatinha.

- Pães de queijo no porta-mala do carro do papai que está entrando na marginal Pinheiros agora.

- Mas aqui é Taboão da Serra!!!!! falou Batatinha.

- GPSPQ, respondeu a Lua.

- Que é isso? perguntou a revista.

- GPS do Pão de Queijo, respondeu a cadelinha, lambendo o focinho. Tchau, genteeeeeee. Vou esperar meu papai atrás da porta. Aí ele entra e eu .... zás .... cato todos os pães de queijo.
Autoria: Marly Spacachieri
Outubro/2009
transcrito@yahoo.com.br

sábado, 5 de setembro de 2009



ARREGANHANDO
FOCINHO



... E MOSTRANDO OS DENTES






A Chica não pode ver um espelho que logo arreganha o focinho para ver como estão os seus dentes. Vaidosa como ela só, Chica consulta a cada seis meses o seu veterinário dentista. Isso porque a saúde bucal dos animais é tão importante quanto a dos humanos. Chica aprendeu que restos de alimentos e bactérias acumulam-se na superfície dentária formando a famigerada placa bacteriana e o tal tártaro (aquela pedra amarelada). Aí vem o mau hálito. Chica ficou assim. E foi piorando a cada dia até chegar no médico. O estado dos dentes dela era precário e tinha muitos tártaros. A gengiva estava doente. Foi preciso fazer uma raspagem profunda e até mesmo retirar alguns dentes que não tinham condições de tratamento. A Chica ficou preocupada com duas coisas: como poderia comer suas rações já que perdera muitos dentes e como ficaria seu sorriso irresistível? Nada mudou. A Chica, depois da recuperação da cirurgia, voltou a comer e a sorrir. Não tem mais aquele bafo horroroso, pode morder seus biscoitos especiais para cachorros e sorrir para o Pingo todas as vezes que o vê. Depois disso não descuida da saúde bucal.

A Lua, que ainda é muito jovem, quis saber mais sobre isso. Foi ao veterinário e começou a série de perguntas que só ela sabe fazer. O doutor, munido de toda paciência do mundo, respondeu. Vamos transcrever essa entrevista:

LUA: Doutor Knino, como os donos dos cachorros podem fazer para manter uma saúde bucal no seu animal? Ih! Rimou! Sou poetisa canina? Hum!!!!

DR.KNINO:
É preciso começar cedo, ou seja, limpar os dentes do animal logo no início de sua vida. Fazer desse hábito um prazer para o cachorrinho. Os adultos também podem começar. Nunca é tarde.

LUA
Prazer? Como é que raspar dentes pode ser prazer? Sei não! Cachorro é bicho desconfiado e enfiar uma escova de dente na boca canina .... gera mordidas na mão, isso sim!

DR.KNINO
Não Lua. É preciso acostumar o animal, mas sempre sem machucá-lo. Se ele for filhote, acostumar a aceitar carinhos em torno do focinho. Fazer isso sempre e dar a ele recompensas pelo bom corportamento. Um passeio na rua ou mesmo um biscoitinho para cães ajudam muito. Somente após ele aceitar esse afago no focinho é que se pode começar a higienização.

LUA
Hum! Pode ser pão de queijo? Eu não gosto de biscoitinhos para cachorros!

DR.KNINO
Não, Lua. Tem que ser produtos especializados e adequados para cães. Nada de pão de queijo!

LUA
Não gostei. Nadica de nada. Mas ... vamos lá, né?

DR.KNINO
Esse treino do filhote para receber a limpeza dos dentes pode ser feito também para o cão adulto, porém, se ele já estiver com tártaros é preciso que um médico veterinário especialista faça a raspagem das pedras e torne os dentes limpos. Só depois disso é que o dono do peludo pode partir para a higienização diária.

LUA
Será que dói?

DR.KNINO
Não Lua. Todo o tratamento feito pelo médico é com o cão sedado.

LUA
O que é sedado?

DR.KNINO
Dormindo sob o efeito de anestesia.

LUA
Ah! Assim dá! Queria ver alguém abrir o focinho do Pingo! Nem por sonho! Mas, vamos em frente. Depois que o cachorro está com os dentes limpos das pedrinhas e pedronas que o médico dentista veterinário tirou, aí o cachorro come um pão de queijo e ...

DR.KNINO
Nada de pão de queijo, Lua. Nada! O cachorro só pode comer ração e petiscos especialmente feitos para eles. Nada de pão de queijo.

LUA
HUNF! Tá certo ... depois que o cão come um biscoitinho de queijo .... de cachorro .... o que acontece?

DR.KNINO
Após as refeições e com os dentes e gengivas tratados, o cachorro já deve estar familiarizado com os afagos em seu focinho. Só após essa etapa é que o dono do canino deve enrolar um lenço ou uma gaze em seu dedo indicador e massagear os dentes e a gengiva. Entendeu?

LUA
Sim senhor. E oque faz o senhor achar que nós, os cachorros, gostamos disso?

DR.KNINO
Todo carinho é gostoso, Lua. Se o dono do peludo for carinhoso, recompensar com carinhos, petiscos – de cachorro – e passeios, o cachorro vai adorar esse jogo. Além do mais, quem não gosta de massagem? Tem coisa mais gostosa?

LUA
Pão de queijo, mas ... E aí? O que acontece?

DR.KNINO
Habituando o cachorro ao contato bucal com o lenço ou a gaze, pode-se passar para a escova de dente. Tem que ser uma de cerdas ultra macias, como a das crianças.

LUA
Alto lá! Com assim? Escova de dente? Não vai dar certo! Não mesmo! O Pingo vai morder a escova toda. Ele come até a vassoura, que dirá a escovinha dentes!

DR.KNINO
Por isso é preciso que o Pingo aprenda que a massagem é gostosa. Dessa forma, ele pouco resistirá a escova de dentes. Além disso, a pasta dentária tem que ser veterinária, que é apropriada e tem sabor agradável.

LUA
Tem com sabor de pão de queijo?

DR.KNINO
Creio que não, mas se a idéia for boa, quem sabe não fabricam uma?

LUA
Idéia boa? É essencial, doutor. Essencial! Pão de queijo em pasta é tuuuudo de bom. Aí a gente passa pelo dente e ... hummmmm ....

DR.KANINO
Voltemos, Lua. Lembre-se que a pasta de dente humana faz mal ao cachorro. Nem mesmo as infantis. O animal não faz enxágue e engole a pasta. Por isso o produto tem que ser veterinário. O dono do cachorro precisa ser cuidadoso e ter paciência. Nos primeiros dias de escovação, ela só deverá acontecer nos dentes da frente. Fazer movimentos circulares e depois, da gengiva para a ponta dos dentes. Quando o peludo estiver acostumado a isso, passar a escovar os dentes posteriores, mas sempre com movimentos circulares.

LUA
Dentes frontais e dentes posteriores ... todos eles esfregados circularmente com pasta de pão de queijo. Maravilhoso!

DR.KNINO
Creme dental canino, Lua! Nada de pasta de pão de queijo!

LUA
HUNF!

DR.KANINO
Somente após o cachorro aceitar essa escovação é que se pode tentar escovar os dentes pelo lado da língua. Mas, se ele não quiser, o dono deve ter paciência e ir ganhando a confiança dele. Jamais o repreender e, ao contrário, retribuir o bom comportamento com muito carinho e biscoitinhos caninos.

LUA
Quantas vezes tem que limpar os dentes?

DR.KNINO
Pelo menos uma vez ao dia. Se puder ser após cada refeição, melhor.

LUA
Eu vou deixar meu dono limpar meus dentes todos, o tempo todo, desde que seja com pasta dentrifícia sabor pão de queijo. Pode ser aroma mussarela, parmesão e até o queijo prato. Gorgonzola não. É muito fedido. Vou deixar sim. Até a escova ele vai poder passar.

DR.KNINO
Certo, Lua. O importante é saber que o mau hálito é sinal que há algo errado na boca. E quando o dente dói, o cachorro sofre muito. Estudos mostram que 85% dos cães e gatos sofrem de algum tipo de problema dentário.

LUA
Dr.Knino, tem alguma forma de minimizar a formação dos tais tártaros? (Viu como eu falo difícil! “Minimizar” eu aprendi com a minha dona, que sempre quer minimizar os tais “gastos com as compras dos supermercados”. Que será isso, hein? Menos pães de queijo!).

DR.KNINO
Tem sim. A ração seca auxilia no controle da formação da placa bacteriana. As tiras de couro, especiais para animais, ajudam a manter a limpeza feita diariamente. O cachorro deve receber uma delas por dia. Mordedores, bolinhas e brinquedos especiais também ajudam. Mas nada disso funciona sem o olhar atento do dono e da avaliação periódica do médico veterinário.

LUA
Certo, doutor. Só mais uma coisinha.

DR.KNINO
Sim, Lua. Qual a sua dúvida?

LUA
Onde eu encontro a pasta de dente canina?

DR.KNINO
Em pet shop especializados em cães.

LUA
E para onde eu lato reclamando que não tem pasta de dente canina com sabor de pão de queijo?

DR.KNINO
Lua, tenha dó. Não serve sabor carne?

LUA
Não. Quero pão de queijo. Sem isso ... fecho a boca! HUNF.

Texto: Marly Spacachieri
Pesquisa: ABOV – Associação Brasileira de Odontologia Veterinária

sábado, 22 de agosto de 2009

CASO MUUUUITO SÉRIO

A Lua pede a todos que vejam este vídeo.
http://www.youtube.com/watch?v=2DR6XqBKkSM

Vale a pena



O CASO DA CEBOLA

Esta história,contada pela nossa Jujuba, uma cadela doce, foi inspirada num cachorrinho muito especial chamado Falafel*, pertencente a Mara Kanczuk. Ele sabe porquê!

Juão sempre teve uma preocupação com nomes, mais precisamente com os originais, aqueles que podem ser interpretados. Trauma do seu? Talvez! Juão se ressentia - e muito - desse "u" indevido, fruto da má vontade do escrivão que não orientou seu pai na hora do registro civil. O de sua irmã era sim um nome bonito e diferente! Madeusa soara poético até se saber que havia sido tirado dos carimbos existentes nas caixas das quinquilharias que o chefe do pai recebia do estrangeiro: Made in Usa! O irmão de Juão, esse sim, tinha um nome bonito: Raiuvaque, que os amigos chamavam de Raiú.

Foi nesse clima de letras que Juão cresceu e se firmou. Aprendeu que primeiro é preciso saber o nome e depois conhecer a pessoa. Namorou algumas garotas, mas não conseguia ficar com nenhuma. Era só perguntarem o nome dele para o romance acabar. Os amigos, sabedores da encrenca, procuravam por meninas de nomes exóticos para que Juão pudesse namorar. Nada. O máximo que acontecia era uma junção de nomes de pai com a mãe. Foi o caso da Pedélia, cujo pai chamava-se Pedro e a mãe, Adélia. Juão ficou com coceiras só de pensar, mas os amigos argumentaram que podiam ter uma filha que se chamaria Julia, Juão com Pedélia. Não adiantou.

Quando Felipe, seu amigo mais próximo, deu-lhe um cachorro de presente, batizou-o como Palmito. Palmito? Sim! E ponto final, que o cachorro é dele.... Palmito veio para transformar a vida de Juão, pois através dele conheceu Ricaura e a Alface.

- Quem? Ricaura? Meu Santo Deus...! - gritaram os amigos.

Sim, Ricaura, filha do Sr.Ricarmárcio e Dona Marilaura. Irmã de Marimárcia e do Marciomar. Uma família de peso no nome e, de tal jeito que Juão ficou com medo de ser diferente só por ter um único "u" no nome. E se Ricaura não achasse o nome dele charmoso? Bem que poderia ter um nome como daqueles antigos e que estão registrados no cartório? Lembrou-se do Sr.Colapso Cardíaco da Silva, da Dona Graciosa Rodela, do Calendário Gregoriano da Costa ... e outros tantos. Contudo Ricaura mostrou-se avessa aos preconceitos e apaixonou-se pelo Juão.

E o Palmito pela Alface, uma cadelinha linda, novinha e fofa.

Os humanos casaram-se. No primeiro ano veio a primeira filha: Jurica, sem acento mesmo! Apelidada de Juju, tornou-se a luz da vida do casal. No segundo ano veio o filho: Ricão. E no terceiro ano, finalmente Alface deu a luz para 4 filhotes, todos a cara do pai e o pêlo da mãe. Exultante com o aumento da família, Juão procurou os amigos para juntos comemorarem.
E cerveja desce... sai prato de batatas fritas... pede uma lingüiça no capricho... risos... até que alguém se lembrou de perguntar os nomes dos filhotes. Juão perdeu o sorriso e pousando a cerveja na mesa olhou para todos - lágrimas nos olhos. Todos aflitos pensando em desgraças.... Juão respirando fundo, fungando mesmo. Puxa vida! Coisa brava vem aí... tragédia... serão defeituosos? Serão feios? Ora! E tem cachorro feio? Imagine! Morreu algum? Não! Ué? Pediu-se um gim que Juão jogou goela abaixo. Parado, fitando o nada, olhos envesgando para a ponta do nariz e a turma nervosa. Música do rádio abaixada! Copos sendo apertados... De repente um grita:

- Desembucha, desgraçado!
Juão tenta falar entre soluços. Acalma-se

- Palmito é como se fosse meu filho. Alface é a melhor cadela que ele poderia querer. E a cria foi linda, mas nasceram só 4 machos e nenhuma fêmea.

Um grito de "mas que bobagem..." saiu da boca de Felipe.
E uma confusão se formou. Todos queriam ver a tragédia que Juão falara, mas cadê a danada? Juão, nervoso com os amigos, levantou-se jogou o dinheiro sobre a mesa ao mesmo tempo que berrou:

- Ignorantes! Eu não posso ficar num bando de ignorantes! - Saiu em seguida, deixando todos espantadíssimos.

Felipe seguiu e foi encontrá-lo sentado na praça.

- Mas o que está havendo? Que diabos deu em você? - perguntou Felipe.
- Você não entendeu? - disse Juão.
- Claro que não - disse Felipe - há algo pra ser entendido?
- Pôxa! É tudo tão simples, tão claro! Veja você: Palmito e Alface tiveram 4 filhotes que batizamos de Vinagre, Sal, Óleo e Orégano.
- E daí? - pergunta Felipe.
- E daí? Não nasceu a Cebola! Você já viu Palmito, Alface, Vinagre, Sal, Óleo e Orégano sem Cebola? Viu? Não! E nem vai ter! O veterinário fez a tal esterilização na Alface. Nunca mais vamos poder ter a Cebola! Nunca mais!

* FALAFEL (pronuncia-se Faláfel) é o nome de um sanduíche árabe feito no pão sírio com humos, tehina, berinjela, tomate, pepino, repolho, batata frita, bolinhos de grão-de-bico com ervas e CEBOLA! Sem a cebola não é Falafel, certo?

sábado, 8 de agosto de 2009


COF
COF
COF.......

A Lua não fuma, porém, algumas pessoas querem que ela fume.


Pode isso?
Como é isso?
O que é isso?


A Lua sempre lê jornais. Um deles trouxe uma matéria sobre uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, o famoso HOVET, de onde a Lua tem carteirinha de frequentadora assídua por conta das peraltices que faz. Essa pesquisa foi feita visando entender até que ponto o tabaco utilizado pelos proprietários de animais em seus cigarros causam danos nos seres de quatro patas. A Lua ficou interessada porque tem algumas amigas e amigos cujos tutores fumam.

- Ah! Eu bem que desconfiava que isso é errado, disse Lua para o jornal.

Ele respondeu por escrito, como é próprio dos jornais.

Lua foi lendo e aprendendo que existem cachorros, cujos tutores fumam, que sofrem de um tipo de tosse de fumante. Pode isso? Cachorro não fuma. Gato não fuma. Então ...???? Disse um dos pesquisadores que a equipe do Hovet começou a perceber que muitos cães com tosse tinham donos fumantes. A dra.Denise Saretta Schwartz, que já atendeu a Lua e seus irmãos, diz que esses animais ficam mais expostos à terem tosses de fumante passivo.
- Pelos pães de queijo sagrados!!!! gritou a Lua

Lua ficou preocupadíssima. A Jade, aquela sua vizinha gata manhosa, vive num ambiente assim. Precisava conversar com ela, portanto, melhor seria se entendesse mais do assunto. Tomou conhecimento que os cães tornam-se fumantes passivos e, com isso, podem desenvolver bronquites, asma, crise alérgica e câncer no pulmão. Este último é fatal em 100% dos casos.

- Creeeeedo, disse a Lua.

Decidiu subir num banquinho, porque ela é pequenina, e chamar todos os focinhos da região para uma assembléia. Foram chegando os cachorros grandes, médios e os pequenos, os gatos, os passarinhos e até bichos que ela não conhecia. Resolveram ficar perto do aquário para que os peixes pudessem participar.

Lua contou tudo o que leu. Os bichos ficaram apavorados. Uns pensaram em fazer xixi nos maços de cigarros, mas os donos comprariam outros e o bicho pagaria a culpa. E se enterrassem?, sugeriram os gatos. Os donos comprariam outros. Que inferno! O melhor seria fazer xixi na carteira de dinheiro do dono e enterrá-la! Nem isso! Os humanos têm cartões de crédito e cheques. Sem saída!

Lua explicou que basta um cigarrinho à-toa para estragar o sistema respiratório animal. Não tem cura. Que coisa!

Um gato persa, rico, daqueles que comem salmão, voltou de viagem do Estados Unidos. Lá é proibido fumar nos zoológicos. Tem alguns estados que proibem cigarros acesos em parques, praças e jardins, tudo visando proteger a vida animal desses locais. Bicho norte-americano é mais feliz!!!!
Um pato que passava por perto quis botar seu bico na conversa. Perguntou:
- Se faz tanto mal, porque os humanos fumam? Não entendo!
- Não entende porque é pato. Isso é coisa de humano, respondeu Tarta, a tartatuga sábia que a Lua conhece.
- Mas tia Tarta, perguntou o pardal, - se eles vão morrer por causa disso .... ????
- Vão nos matar junto!!! latiu fortemente o Bulteco, o pit da casa 5.
- O que faremos?, perguntou uma galinha, apavorada porque vira a cozinheira colocando a água para ferver! Escaparia? Da panela pra cair no cigarro? Que vida penosa!!!!

Os animais, liderados pela Lua, ponderaram, pensaram e se cansaram. Depois de horas de debates concluíram que estavam nas mãos dos humanos. Só eles podem resolver a contenda.
A Lua propôs montar uma associação de proteção ao pulmão animal – APPA e estabelecer uma multa: cada cigarro aceso pelo dono, uma mordida nele pelos cachorros, uma arranhadona pelos gatos e bicadas de montão por todos os bicudos. Se os humanos querem fumar que o façam longe dos focinhos.
Foi aplaudida por patas, bicos e até guelras. Só falta agora que os humanos entendam que não são os donos do planeta e que tudo e todos os demais devem ser respeitados.


Marly Spacachieri
transcrito@yahoo.com.br
agosto/2009

quinta-feira, 23 de julho de 2009

EXPLORAÇÃO DA PATA CANINA????


A Lua lê jornais. Ela quer ser uma cadela bem informada. Por isso lê muito. Por isso achou uma notícia que a deixou preocupada: em São Paulo tem empresas alugando cães treinados para guardarem residências. Pode isso? Diz a matéria que um vigilante humano custa mais de R$ 1.500,00 ao mês para 8 horas de trabalho. Aí que para 24 horas esse custo sobe para R$ 4.500,00. As quatro patas caninas saem por R$ 60,00 por dia, R$ 1.800,00 ao mês. E o dono do negócio diz que o “principal produto oferecido é o medo”. Isso não é bom para o momento em que a mídia coloca que o cão é um grande amigo. Ninguém deve temer um amigo! Isso deixou a Lua nervosa. Além disso, o dono do negócio disse que pastores alemães não são usados em residências, como cães de aluguel, porque latem muito e incomodam os vizinhos. Ora, ora! Então as pessoas comuns não podem ter pastores alemães em suas casas porque eles latem muito? Será? A Lua tem um amigo pastor, o Chicão, enoooorme e que é quieto. Quase não late! Sei não!!!! Esse dono do negócio precisa conhecer o Chicão.

Continuando a ler, nervosa, comendo seus pães de queijo. Lua descobre que as casas que têm cachorros de aluguel não devem ter moradores. O quê????????? Os cachorros ficam sozinhos????????? Como pode isso????????? Um funcionário da empresa passa pela tal casa e os alimenta uma vez por dia. A Lua ficou triste porque há registro de caso de cachorro assassinado por ladrões. Ficou pensando.... pensando..... e dormiu. Sonhou que era uma cadela muito grande e que queria passear, viajar, mas tinha uma enorme casa. Aí contratou um humano para tomar conta dela. Na hora de sair em férias olhou e não conseguiu ir e deixar o seu humano de estimação sozinho, com comida uma vez por dia e sem carinho. Lua é muito esperta. Ela preserva tudo que é bom!

Marly Spacachieri
transcrito@yahoo.com.br